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Do descaso à integração

Do descaso à integração

A manutenção dos moradores de rua, vítimas do descaso das autoridades políticas e de fração da população, às margens da civilização e em condições quase inóspitas  representa um enorme retrocesso para esta nação e reforça a urgência da aplicação de políticas públicas eficientes que visem aprimorar a integração destes cidadãos à vida em sociedade.
 
  Os desabrigados, que chegam às ruas por variadas circunstâncias (dependência química, problemas familiares, desemprego, perda de moradia etc. ), sofrem, diariamente, com a ausência de habitação e a escassez de recursos, com a indiferença de alguns civis e, em casos mais extremos, com a violência praticada por esses mesmos que, iludidos por uma superioridade inexistente, acabam ameaçando a integridade física e psicológica desta classe menos privilegiada com o, eternamente, irracional uso da força. Esta lamentável situação precisa ser modificada através da consolidação de uma aliança entre governo e população em prol da efetivação de melhorias na qualidade de vida destes pobres indivíduos. A concretização de tal conversão propiciaria uma extraordinária evolução nas relações sociais e, certamente, diminuiria os alarmantes índices relativos à desigualdade que assombra este país e configura o principal aspecto da atual instabilidade vivenciada pelo mesmo.
 
  A fim de extinguir os problemas associados à marginalização social, que afeta mais de 100 mil brasileiros, o governo deve disponibilizar mais vagas no mercado de trabalho por intermédio da geração de empregos em todos os setores, o que garantiria uma renda mensal a esses cidadãos e, consequentemente, possibilitaria a obtenção de habitações. É também indispensável oferecer um tratamento de ordem terapêutica ou psiquiátrica aos moradores de rua, com o intuito de alavancar a superação de traumas e transtornos, regularmente, responsáveis pela chegada deles à tal situação. Além disso, o Estado, por obrigação,  deve direcionar parte do dinheiro público oriundo da excessiva carga tributária à construção de moradias destinadas à parcela menos favorecida da sociedade, cujas condições socio-econômicas  inviabilizam a compra de uma residência. Para finalizar, a população, cooperando com ONGs e realizando ações voluntárias, pode auxiliar tais pessoas com a doação de alimentos, roupas, utensílios, bens de consumo e outros recursos necessários à subsistência.
 
  Desta forma, conclui-se que a marginalização presente nessa pátria constitui um lastimável entrave que precisa, de imediato, ser resolvido, com o propósito de conceder uma existência mais justa e livre a cidadãos pertencentes aos mais variados segmentos civis. Diante do que foi citado nos parágrafos anteriores, verificou-se, igualmente, que a eliminação deste obstáculo ao progresso geral nacional só será empreendida mediante a luta de todos os habitantes desse vasto território em defesa da estruturação de uma república fiel ao que está previsto em sua vigente constituição, que define, em seu 3º artigo, a erradicação da miséria e da segregação e a redução das desigualdades como alguns de seus objetivos fundamentais.